Poesia Relutante
Ao Mais-Novo (de pé)
Eu não quis esperar
você ir
pra fazer este poema.
Pode ser que você vá
daqui a oitenta e cinco anos.
Não importa.
Importa
saber
que você
é porta.
Como os outros.
Se se perder,
nós também estamos todos
muitíssimo mais
que perdidos.
desachados.
desse jeito que ficamos
quando perdemos o passo
(que horizonte
era coisa do passado.
de hoje em diante
o futuro
era apenas um abismo).
Não foi assim, Belega?
foi assim quando morreu
o amigo?
não ficamos abismados?
você e eu?
não era o Bristol um abismo?
impossível dar um passo?
Não foi que nos tiraram
um abraço?
dos mais justos, dos mais
engajados?
como se tirassem pai e mãe e nos deixassem
mais que órfãos?
mutilados?
Não foi, Belega?
foi assim?
como se, súbito, o mundo
deixasse de existir?
como se a palavra
encontrada
já deixasse de ouvir?
e o companheiro amigo
nunca mais que nunca
mais?
.............................. .............
........................
.............................. ...
......
.............................. .......................
.............................. .....................
.............................. ....................
.............................. .........................?
Eu queria escrever esta carta
ao Belega menino
de anos atrás.
Que de pé, ainda estamos,
Mas nos faltam muitos sonhos
e futuro falta
cada vez mais
-
Ao Mais-Novo (de pé)
Eu não quis esperar
você ir
pra fazer este poema.
Pode ser que você vá
daqui a oitenta e cinco anos.
Não importa.
Importa
saber
que você
é porta.
Como os outros.
Se se perder,
nós também estamos todos
muitíssimo mais
que perdidos.
desachados.
desse jeito que ficamos
quando perdemos o passo
(que horizonte
era coisa do passado.
de hoje em diante
o futuro
era apenas um abismo).
Não foi assim, Belega?
foi assim quando morreu
o amigo?
não ficamos abismados?
você e eu?
não era o Bristol um abismo?
impossível dar um passo?
Não foi que nos tiraram
um abraço?
dos mais justos, dos mais
engajados?
como se tirassem pai e mãe e nos deixassem
mais que órfãos?
mutilados?
Não foi, Belega?
foi assim?
como se, súbito, o mundo
deixasse de existir?
como se a palavra
encontrada
já deixasse de ouvir?
e o companheiro amigo
nunca mais que nunca
mais?
.............................. .............
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.............................. ...
......
.............................. .......................
.............................. .....................
.............................. ....................
.............................. .........................?
Eu queria escrever esta carta
ao Belega menino
de anos atrás.
Que de pé, ainda estamos,
Pode ser que você vá
daqui a oitenta e cinco anos.
Não importa.
Importa
saber
que você
é porta.
Como os outros.
Se se perder,
nós também estamos todos
muitíssimo mais
que perdidos.
desachados.
desse jeito que ficamos
quando perdemos o passo
(que horizonte
era coisa do passado.
de hoje em diante
o futuro
era apenas um abismo).
Não foi assim, Belega?
foi assim quando morreu
o amigo?
não ficamos abismados?
você e eu?
não era o Bristol um abismo?
impossível dar um passo?
Não foi que nos tiraram
um abraço?
dos mais justos, dos mais
engajados?
como se tirassem pai e mãe e nos deixassem
mais que órfãos?
mutilados?
Não foi, Belega?
foi assim?
como se, súbito, o mundo
deixasse de existir?
como se a palavra
encontrada
já deixasse de ouvir?
e o companheiro amigo
nunca mais que nunca
mais?
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Eu queria escrever esta carta
ao Belega menino
de anos atrás.
Que de pé, ainda estamos,
Mas nos faltam muitos sonhos
e futuro falta
cada vez mais


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