quarta-feira, 26 de junho de 2013

" De aqui de dentro da guerra"



Sarau dos Mesquiteiros em apresentação da esquete teatral do poema "De aqui de dentro da guerra", de Dinha, do livro "De passagem mas não à passeio"; no Sarau Perifatividade realizado no CEU Parque Bristol em 25/05/2013.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Me Parió Revolução


Acaba de nascer mais uma personagem na cena cultural e política da cidade de São Paulo, é a Me Parió Revolução, o selo editorial da Rede Poder e Revolução e do Coletivo Perifatividade.
Idealizado e executado por mulheres, o selo se propõe a editar livros “semiartesanais, bonitos de encher os olhos e a alma, mas sem esvaziar os bolsos”, como está descrito em sua página oficial no Facebook. A intenção é promover a leitura facilitando o acesso aos livros, e incentivando autores e autoras estreantes ou não a publicarem seus textos de forma independente.
Para tanto, a Me Parió se propõe a produzir livros de forma semiartesanal, de modo a que o produto final seja bonito, mas com baixo custo de produção, podendo ser vendido a preços bem mais em conta do que os praticados pelas editoras comuns.
O grupo pretende também disponibilizar gratuitamente ebooks e audiolivros em português e traduzidos para outros idiomas.
A venda dos livros impressos custeará, além de novas publicações, as ações dos coletivos Poder e Revolução e Perifatividade, como a reocupação do Maloca Espaço Cultural e a Biblioteca Comunitária Livro-pra-que-te-quero.
O primeiro lançamento está previsto para os meses de Agosto ou Setembro de 2013. Será o segundo livro Onde escondemos o ouro, da Dinha (autora do livro De passagem, mas não a passeio, Global, 2008). Na fila, aguardando verba, estão alguns infantojuvenis, mais poesia, com Dinha e Paulo Rams e outros.

Me Parió Revolução: Literatura, Crítica, Artes, Política e algo mais

sábado, 18 de maio de 2013

Não há capitalismo sem racismo




A cor do privilégio

Falando de modo grosseiro, luta de classes é o embate travado entre empregados e patrões. Os primeiros tentam se libertar da exploração econômica e os últimos tentam mantê-la, pois dela advém o seu lucro. Entre ambos temos a classe média tentando equilibrar-se entre seu pouco dinheiro e seu horror aos pobres.
Nos tempos em que o espectro do comunismo rondava mais de perto o Brasil muitos dos meus amigos viviam em estado de terror, pois a propaganda oficial dizia que, nesse horroroso sistema, quem porventura fosse dono de duas casas teria de doar uma, quem tinha dois carros, teria que se desfazer de um, e assim por diante. Mas o medo dos meus amigos sempre me pareceu bastante infundado, já que todos eles moravam em barracos apertados na beira do córrego.
O medo deles e das outras pessoas era, na verdade, apenas uma reprodução do discurso das elites nacionais. Discurso esse estrategicamente plantado para manter o domínio de uma classe sobre a outra – já que o maior medo das elites sempre foi, justamente, a emancipação financeira dos pobres. Pobres libertos significa ricos encarcerados. E como no Brasil, via de regra, ser negro é ser pobre, a luta de classe se revelará também como luta de raças. Assim, o racismo seria também uma faceta da luta de classes.
Nesse viés, temos, de um lado, as pessoas socialmente brancas (a elite de pele clara e cabelos claros ou tingidos à força) colhendo os frutos de séculos de escravidão e racismo, com maior poder aquisitivo, mais anos de estudos, maior expectativa de vida, etc; e de outro temos o povo negro (composto por pretos e pardos), inversamente, com renda inferior à dos brancos, menos escolaridade, etc.
Se o maior medo subjetivo da pessoa negra é o retorno aos tempos malditos da escravidão. O maior medo da pessoa branca é o de um dia assumir o papel daquele que foi escravizado.
Além disso, pessoas socialmente brancas acreditam, de certa forma, que perder os privilégios trazidos pelo racismo equivale a ser aprisionado. Isto é, sabem que a libertação dos negros está intimamente ligada à sua prisão. Por que não viveriam sem os privilégios estabelecidos. Não é de graça sua posição reacionária diante da discussão antirracista e de políticas afirmativas como as cotas, por exemplo.
A igualdade racial tende , por exemplo, a tirar dos brancos o título de beleza padrão, diminuir seu acesso ao ensino superior e aos papéis socialmente valorizados. Busca-se, de todas as formas, manter as coisas como estão, pois o despertar massivo da negritude geraria conflitos.
As mesmas pessoas que compreendem o embate iminente proveniente da tomada de consciência do povo negro, fingem desconhecer o fato de que já existe um conflito posto onde negros e negras são sistematicamente vitimados.
Assim, o povo branco tende a demonstrar desprezo diante das dores causadas pelo racismo, tendem a se incomodar mais quando encontram um negro em posição de poder do que quando o vê na lama. Usam o desprezo como arma do racismo...
Se os brancos brasileiros não criaram a KKK tupiniquim, seu desprezo diante dos problemas do racismo impediu, por exemplo, que o cinema nacional, a música e a literatura se ocupassem da problemática do racismo, como acertadamente fizeram os Judeus ao financiarem os filmes antinazistas e, por isso, criaram um sentimento universal de repúdio ao nazismo que alimenta a vergonha da Alemanha diante do fato de ter protagonizado esse momento histórico.
Essas coisas fazem com que nos indignemos mais com os terrores do nazi-facismo do que com os da escravidão. Assim como nos incomodamos mais com a ditadura de 64/85 que deixou desamparadas cerca de 1000 famílias, do que com a ditadura atual a “democracia militar”, que desampara três a cada quatro famílias negras.
Além disso, as pessoas socialmente brancas não sentem uma só gota de vergonha pelo fato de o Brasil ter sido o último país no mundo a abolir a escravidão, nem de ter proibido os ex-escravos de comprarem suas próprias terras ou de terem acreditado durante muito tempo que no Brasil não havia racismo.
Então, não é que não percebam nada disso. A verdade é que toda vez que ouvem falar de racismo, é como se um velho fantasma lhes olhasse através do espelho, reprovando suas atitudes e ameaçando-os de vingança. Sentem um desconforto e só conseguem pensar em escapar das acusações, da perda de privilégios ilegítimos e da desvalorização social. Em suma, morrem de medo da possibilidade de ocuparem o lugar mais terrível do capitalismo que, no Brasil, historicamente tem sido empurrado ao povo negro.
Vale lembrar: nem todas as pessoas socialmente brancas são racistas - o que é ótimo -, mas ainda assim, colhem os privilégios advindos de uma sociedade pautada no preconceito baseado na cor da pele.
E os meus amigos, aqueles que temiam o espectro do comunismo, hoje em dia temem despertar o “fantasma dos conflitos raciais”. Nem percebem que já fazem parte dele, são as vítimas. Dormem tranquilamente, abraçados ao seu medo.

Du

domingo, 5 de maio de 2013

Documentário The Posse - nov 2000



nov 2000
O fosso entre ricos e pobres no Brasil é maior do que em qualquer outro lugar do mundo - e que a diferença é mais evidente na grande cidade de São Paulo, com seus 15 milhões de habitantes vivendo em condições que variam de penthouses 'milionários para cortiços infestados de ratos e favelas - favelas. Este é o lugar onde se encontra com a Posse Poder e Revolução - um grupo de seis jovens amigos, unidos por seu amor pela música rap, tentando fazer o melhor de suas vidas contra todas as probabilidades.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Admirável engano novo

(pra nós que continuamos vendo nossos irmãos não passarem da idade de "corte"
Para nós que ficamos na babel do Facebook, sonhando a revolução.)

Vai que um dia a gente acorda
e o morto não nos olha
da porta. As crianças soltam
bolhas de sabão.

Entretanto, estranhamente,
o nosso malote não volta
o pássaro estúpido
lhe emprenha de asas sem ouro.
Aristides é outro.

E os tantos meninos guardados
tão bem que já nem avançam em idade
multiplicam-se também...

Enquanto isso
guardamos em pixels
poucos, que é pra economizar espaço
os momentos guardáveis
em gigabytes
visíveis apenas em tela menor

um mundo inteirinho se abre
na palma da sua mão.

                                                                          .(Essa nova alma android
                                                                         e a nossa visão toda pocket
                                                                         não fazem revolução).

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

  • Poesia Relutante
    Ao Mais-Novo (de pé)

    Eu não quis esperar
    você ir
    pra fazer este poema.
    Pode ser que você vá
    daqui a oitenta e cinco anos.
    Não importa.

    Importa
    saber
    que você
    é porta.
    Como os outros.
    Se se perder,
    nós também estamos todos
    muitíssimo mais
    que perdidos.
    desachados.
    desse jeito que ficamos
    quando perdemos o passo
    (que horizonte
    era coisa do passado.
    de hoje em diante
    o futuro
    era apenas um abismo).
    Não foi assim, Belega?
    foi assim quando morreu
    o amigo?
    não ficamos abismados?
    você e eu?
    não era o Bristol um abismo?
    impossível dar um passo?
    Não foi que nos tiraram
    um abraço?
    dos mais justos, dos mais
    engajados?
    como se tirassem pai e mãe e nos deixassem
    mais que órfãos?
    mutilados?
    Não foi, Belega?
    foi assim?
    como se, súbito, o mundo
    deixasse de existir?
    como se a palavra
    encontrada
    já deixasse de ouvir?
    e o companheiro amigo
    nunca mais que nunca
    mais?

    ...........................................
    ........................
    .................................
    ......
    .....................................................
    ...................................................
    ..................................................
    .......................................................?
    Eu queria escrever esta carta
    ao Belega menino
    de anos atrás.
    Que de pé, ainda estamos,
    Mas nos faltam muitos sonhos
    e futuro falta
    cada vez mais

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Mais 100 nomes na lista de mortos

 
A propósito das mortes de civis  e pm's

O Ministro da Justiça. José Eduardo Cardozo, por ocasião do anúncio da integração de forças entre Estado e União para combate ao crime “organizado”, afirmou ontem, categoricamente, que as mortes de Policiais Militares ocorridas neste último ano serão todas investigadas e punidas.
Aproveito a deixa para lembrar ao Senhor Ministro de que não foram apenas os policiais que tiveram suas vidas ceifadas. Dezenas de civis também têm sido vítimas de assassinatos e, em muitos casos, as suspeitas têm recaído exatamente sobre PM's, ou sobre os chamados “grupos de extermínio”.
Aproveito também para perguntar se posso enviar ao Senhor Ministro uma lista pessoal de mais de 100 pessoas cujas mortes, todas violentas, nunca foram solucionadas. Essa lista foi recolhida ao longo de 36 anos e todas essas pessoas eram conhecidas, amigos, vizinhos ou parentes do meu esposo. Se adicionarmos os “meus” mortos, essa lista certamente aumentará.
Um momento: eu não sou louca. Não desejo que ninguém seja morto e nem tenho intenção nenhuma de que todas essas mortes do passado sejam realmente investigadas. Mas seria fenomenal, algo digno de muito respeito, se o Estado e seus representantes mostrassem por nós o mesmo interesse que demonstram em defender seus cargos políticos, sua imagem pública e não nos abandonassem (a nós e aos policiais - que, afinal de conta são gente da gente) à própria sorte. Seria interessante ter um Estado cuidador.
Enfim, gostaria de lembrar às autoridades que a coisa mais importante dessa história de horror que revivemos hoje são as vidas humanas (dos policiais e também dos civis), a dor das famílias e o desajuste social causado por essas mortes.

Notícia de Israel
(trecho)

Me mandem matar a polícia!
Eu vou, se isso trouxer
Israel,
Sandro,
Aristides,
Luciano,
Márcio,
Cometa,
Buiú
(toda a família de Elisângela)
Edmarcos e
Hilário
(toda os mortos dos CEDECAS)
de volta.
Me mandem matar os bandidos!
Eu vou, se me deixarem
Matar todos os homens-blindados-que-cagam-ouro-na-minha-fome-e-na-fome-da-minha-família.

Eu mataria capitães do mato
Se eles não fossem de fato
Tão vítimas como são vítimas:
Os policiais fardados,
Os meninos sem camisa,
A mulher de volta pra casa,
Israel, no colo da mãe.
O fuzil de minha palavra
Precisa estar voltado
Pra verdadeira revolução.

domingo, 4 de novembro de 2012

quantas bananas

http://correionago.ning.com/video/quantas-bananas-vc-quer-pra-deixar-essa-hist-ria-pra-l

Danilo Gentili manda censurar vídeo que o acusa de racismo