segunda-feira, 23 de setembro de 2013
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Liberdade, só a de Mandela
O
poeta
declina de toda responsabilidade
na marcha do mundo
capitalista
e com as suas palavras, intuições, símbolos e
outras armas
promete ajudar
a destruí-lo
como uma pedreira,
uma floresta
um verme.
Carlos
Drummond de Andrade,
“Nosso Tempo”, in A Rosa do Povo,
Editora Record, 2003
Quem pensa me conhecer,
só porque leu os meus livros, engana-se. Quem quiser me conhecer não
deve ler meus escritos. Os livros estão sempre sete anos atrasados,
não dão conta de quem sou.
Exemplo: Meu primeiro
livro, “De passagem mas não a passeio”, coleciona uma porção
de poemas adolescentes que me apresentam como uma figura irônica e
triste de dar dó. Sob uma aparência revolucionária encontramos
poemas terrivelmente neoliberais. Libertinos, muito mais que
libertários.
Ora, se tem uma coisa
que me envergonha profundamente é isso: essa farsa revolucionária,
essa vulnerabilidade feminina que os espertos costumam taxar de
“libertação”.
Liberdade, ali, só a
de Mandela. O resto é balela. Consumo.
Em “Onde escondemos o
ouro” - livro que está pra sair –, idem . Embora já não haja
aqui nem sombra do que fui, temos ainda a sugestão de um ser
extremamente vingativo, pronto para dar o troco.
Sete anos de azar de
novo. Não sou mais essa pessoa vingativa. Não quero o Ubiratan
morto, embora queira ainda o meu Malote de volta.
Vingança pra mim nem
fria nem quente. Na minha mesa só quero sementes que germinem e
alimentem a vida em qualquer canto.
O que diz melhor de
mim, talvez, sejam os zines. Por serem publicações pequenas,
efêmeras e pontuais – simples – traduzem melhor os momentos,
compõem mosaicos no tempo.
Mas, se é assim,
porque publicar? Porque, se com tantos defeitos, vergonhas e
arrependimentos, ainda gasto meu tempo e dinheiro publicando livros?
É porque, apesar dos
erros, se salva o discurso. No conjunto, os poemas compõem mosaicos
de cristais inquebrantáveis e apresentam o meu desejo de ser útil,
de encontrar e reforçar a essência humana, revolucionária, em cada
título, em cada página.
A contradição
capitalista também mora em mim, apesar da minha luta diária contra
esse sistema.
Se publico, é porque
quando releio os poemas antigos algo de novo ainda tilinta bem no
fundo desse beco esvaziado onde moramos.
E esse tilinto é azul
pontilhado de vermelho: semeia a paz nesse campo minado de guerra.
quinta-feira, 11 de julho de 2013
Começo
PEDRA DO CHAPÉU, MILAGRES CE
...e foi assim que eu vim ao mundo.
- Num golpe de sorte?
Não. De vento.
Minha mãe foi fecundada como flores numa fábrica de filhos
- frescos?
Secos.
Fomos dez, ao todo.
Milagres, foi só o começo.
...e foi assim que eu vim ao mundo.
- Num golpe de sorte?
Não. De vento.
Minha mãe foi fecundada como flores numa fábrica de filhos
- frescos?
Secos.
Fomos dez, ao todo.
Milagres, foi só o começo.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
quarta-feira, 26 de junho de 2013
" De aqui de dentro da guerra"
Sarau dos Mesquiteiros em apresentação da esquete teatral do poema "De aqui de dentro da guerra", de Dinha, do livro "De passagem mas não à passeio"; no Sarau Perifatividade realizado no CEU Parque Bristol em 25/05/2013.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Me Parió Revolução
Acaba de nascer mais uma personagem na cena cultural e política da cidade de São Paulo, é a Me Parió Revolução, o selo editorial da Rede Poder e Revolução e do Coletivo Perifatividade.
Idealizado e executado por mulheres, o selo se propõe a editar livros “semiartesanais, bonitos de encher os olhos e a alma, mas sem esvaziar os bolsos”, como está descrito em sua página oficial no Facebook. A intenção é promover a leitura facilitando o acesso aos livros, e incentivando autores e autoras estreantes ou não a publicarem seus textos de forma independente.
Para tanto, a Me Parió se propõe a produzir livros de forma semiartesanal, de modo a que o produto final seja bonito, mas com baixo custo de produção, podendo ser vendido a preços bem mais em conta do que os praticados pelas editoras comuns.
O grupo pretende também disponibilizar gratuitamente ebooks e audiolivros em português e traduzidos para outros idiomas.
A venda dos livros impressos custeará, além de novas publicações, as ações dos coletivos Poder e Revolução e Perifatividade, como a reocupação do Maloca Espaço Cultural e a Biblioteca Comunitária Livro-pra-que-te-quero.
O primeiro lançamento está previsto para os meses de Agosto ou Setembro de 2013. Será o segundo livro Onde escondemos o ouro, da Dinha (autora do livro De passagem, mas não a passeio, Global, 2008). Na fila, aguardando verba, estão alguns infantojuvenis, mais poesia, com Dinha e Paulo Rams e outros.
Me Parió Revolução: Literatura, Crítica, Artes, Política e algo mais
sábado, 18 de maio de 2013
Não há capitalismo sem racismo
A cor do privilégio
Falando de modo grosseiro, luta de classes é o embate travado entre
empregados e patrões. Os primeiros tentam se libertar da exploração
econômica e os últimos tentam mantê-la, pois dela advém o seu
lucro. Entre ambos temos a classe média tentando equilibrar-se entre
seu pouco dinheiro e seu horror aos pobres.
Nos tempos em que o espectro do comunismo rondava mais de perto o
Brasil muitos dos meus amigos viviam em estado de terror, pois a
propaganda oficial dizia que, nesse horroroso sistema, quem
porventura fosse dono de duas casas teria de doar uma, quem tinha
dois carros, teria que se desfazer de um, e assim por diante. Mas o
medo dos meus amigos sempre me pareceu bastante infundado, já que
todos eles moravam em barracos apertados na beira do córrego.
O medo deles e das outras pessoas era, na verdade, apenas uma
reprodução do discurso das elites nacionais. Discurso esse
estrategicamente plantado para manter o domínio de uma classe sobre
a outra – já que o maior medo das elites sempre foi, justamente, a
emancipação financeira dos pobres. Pobres libertos significa ricos
encarcerados. E como no Brasil, via de regra, ser negro é ser
pobre, a luta de classe se revelará também como luta de raças.
Assim, o racismo seria também uma faceta da luta de classes.
Nesse viés, temos, de um lado, as pessoas socialmente brancas (a
elite de pele clara e cabelos claros ou tingidos à força) colhendo
os frutos de séculos de escravidão e racismo, com maior poder
aquisitivo, mais anos de estudos, maior expectativa de vida, etc; e
de outro temos o povo negro (composto por pretos e pardos),
inversamente, com renda inferior à dos brancos, menos escolaridade,
etc.
Se o maior medo subjetivo da pessoa negra é o retorno aos tempos
malditos da escravidão. O maior medo da pessoa branca é o de um dia
assumir o papel daquele que foi escravizado.
Além disso, pessoas socialmente brancas acreditam, de certa forma,
que perder os privilégios trazidos pelo racismo equivale a ser
aprisionado. Isto é, sabem que a libertação dos negros está
intimamente ligada à sua prisão. Por que não viveriam sem os
privilégios estabelecidos. Não é de graça sua posição
reacionária diante da discussão antirracista e de políticas
afirmativas como as cotas, por exemplo.
A igualdade racial tende , por exemplo, a tirar dos brancos o título
de beleza padrão, diminuir seu acesso ao ensino superior e aos
papéis socialmente valorizados. Busca-se, de todas as formas, manter
as coisas como estão, pois o
despertar massivo da negritude geraria conflitos.
As mesmas pessoas que compreendem
o embate iminente proveniente da tomada de consciência do povo
negro, fingem desconhecer o fato de que já existe um conflito posto
onde negros e negras são sistematicamente vitimados.
Assim, o povo branco tende a
demonstrar desprezo diante das dores causadas pelo racismo, tendem a
se incomodar mais quando encontram um negro em posição de poder do
que quando o vê na lama. Usam o desprezo como arma do racismo...
Se os brancos brasileiros não criaram a KKK tupiniquim, seu
desprezo diante dos problemas do racismo impediu, por exemplo, que o
cinema nacional, a música e a literatura se ocupassem da
problemática do racismo, como acertadamente fizeram os Judeus ao
financiarem os filmes antinazistas e, por isso, criaram um sentimento
universal de repúdio ao nazismo que alimenta a vergonha da Alemanha
diante do fato de ter protagonizado esse momento histórico.
Essas coisas fazem com que nos indignemos mais com os terrores do
nazi-facismo do que com os da escravidão. Assim como nos incomodamos
mais com a ditadura de 64/85 que deixou desamparadas cerca de 1000
famílias, do que com a ditadura atual a “democracia militar”,
que desampara três a cada quatro famílias negras.
Além disso, as pessoas socialmente brancas não sentem uma só gota
de vergonha pelo fato de o Brasil ter sido o último país no mundo a
abolir a escravidão, nem de ter proibido os ex-escravos de comprarem
suas próprias terras ou de terem acreditado durante muito tempo que
no Brasil não havia racismo.
Então, não é que não percebam nada disso. A verdade é que toda
vez que ouvem falar de racismo, é como se um velho fantasma lhes
olhasse através do espelho, reprovando suas atitudes e ameaçando-os
de vingança. Sentem um desconforto e só conseguem pensar em escapar
das acusações, da perda de privilégios ilegítimos e da
desvalorização social. Em suma, morrem de medo da possibilidade de
ocuparem o lugar mais terrível do capitalismo que, no Brasil,
historicamente tem sido empurrado ao povo negro.
Vale lembrar: nem todas as pessoas socialmente brancas são racistas - o que é ótimo -, mas ainda assim, colhem os privilégios advindos de uma sociedade pautada no preconceito baseado na cor da pele.
Vale lembrar: nem todas as pessoas socialmente brancas são racistas - o que é ótimo -, mas ainda assim, colhem os privilégios advindos de uma sociedade pautada no preconceito baseado na cor da pele.
domingo, 5 de maio de 2013
Documentário The Posse - nov 2000
nov 2000
O fosso entre ricos e pobres no Brasil é maior do que em qualquer outro lugar do mundo - e que a diferença é mais evidente na grande cidade de São Paulo, com seus 15 milhões de habitantes vivendo em condições que variam de penthouses 'milionários para cortiços infestados de ratos e favelas - favelas. Este é o lugar onde se encontra com a Posse Poder e Revolução - um grupo de seis jovens amigos, unidos por seu amor pela música rap, tentando fazer o melhor de suas vidas contra todas as probabilidades.
sábado, 20 de abril de 2013
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Admirável engano novo
(pra nós que continuamos vendo nossos irmãos não passarem da idade de "corte".
Para nós que ficamos na babel do Facebook, sonhando a revolução.)
e
o morto não nos olha
da
porta. As crianças soltam
bolhas
de sabão.
Entretanto,
estranhamente,
o nosso malote não volta
o nosso malote não volta
o
pássaro estúpido
lhe
emprenha de asas sem ouro.
Aristides
é outro.
E
os tantos meninos guardados
tão
bem que já nem avançam em idade
multiplicam-se
também...
Enquanto
isso
guardamos
em pixels
poucos,
que é pra economizar espaço
os
momentos guardáveis
em
gigabytes
visíveis
apenas em tela menor
um
mundo inteirinho se abre
na
palma da sua mão.
.(Essa
nova alma android
e
a nossa visão toda pocket
não
fazem revolução).
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